FESTIVAL

1- BMU_público

BMU – BRASIL METAL UNION

“A Seleção Brasileira de Heavy Metal”

No começo da década de 2000, o festival Brasil Metal Union se consagrou como o primeiro e maior festival dedicado exclusivamente ao Heavy Metal nacional. O brasão trazendo as cores da nossa bandeira, o slogan e a referência à confederação que representa o principal esporte do país, sugerem que o Metal brasileiro também pode ser motivo de orgulho e até produto de exportação.

O festival foi criado por Richard Navarro, à época responsável pelo fanzine Heavy Melody, que tinha por objetivo mostrar que o Metal nacional ia muito além de Angra e Sepultura, que eram as únicas bandas que tinham espaço na mídia. Um eterno ciclo vicioso, que não permitia que outras bandas se tornassem conhecidas pelo público e conquistassem reconhecimento junto aos veículos especializados.

Muito além disso, o “BMU” veio com a proposta de apresentar e valorizar as bandas do Metal nacional, como “atração principal”, e não como meras bandas de abertura de artistas internacionais. Tal como nos jogos da seleção, o hino nacional dava o tom à abertura do festival em que o público comparecia em massa para prestigiar as bandas brasileiras de Heavy Metal.

Um evento onde todas as bandas tinham direito à mesma divulgação, mesma estrutura, mesmo camarim, mesmo equipamento de palco e mesmo tempo de show. Não importa se a banda X é mais famosa ou tem mais tempo de carreira que a banda Y, “neste festival” eram tratadas de forma igualitária. Este era o princípio básico de respeito e “união” que o evento procurava pregar. Este espírito de união se estendia na mistura de estilos das bandas que compunham o cast do festival, e respectivos públicos, que se uniam em prol do Metal nacional como um todo.

2- BMU votação_baraldi

O cast era baseado dos resultados de numa votação online, onde o público votava nas bandas de todos estilos e estados brasileiros. No entanto, a escolha não se traduzia no resultado literal das bandas mais votadas em si. Eram aplicados critérios para garantir que o mínimo de “6″ estados brasileiros seriam representados, simbolizando nos 6 dentes da engrenagem do logotipo do BMU. O mesmo se aplicava no que diz respeito ao estilo das bandas. Por exemplo, se já existiam bandas de Power Metal entre as primeiras colocadas, seria dado preferência a bandas de outro estilos, mesmo que ainda houvessem outras bandas Power melhores colocadas no ranking da votação bruta.

Nunca houve tanto investimento e apoio exclusivo ao Metal brasileiro, como o que se fez ao longo das seis edições do Brasil Metal Union.

Confira aqui um pouco da mídia feita em cima do BMU

Na edição de 2003, a produção chegou a produzir 5 mil exemplares de uma pequena revista de 36 páginas, trazendo foto, um breve release e discografia de cada uma das bandas que participariam daquela edição. Os mesmos foram distribuídos gratuitamente nos pontos de venda dos ingressos do festival, para garantir que o público tivesse uma prévia do histórico de cada banda. Nesta edição foi criado pela primeira vez um hotsite sobre o festival, trazendo todas as informações sobre as bandas participantes e a programação completa dessa edição. Essa ideia foi mantida e aprimorada nas edições posteriores.

Um investimento ainda maior foi feito durante as edições de 2004 e 2005, quando foram produzidas 3 mil unidades de uma coletânea exclusiva em CD oficial, trazendo músicas de todas as bandas participantes das respectivas edições, como brindes dos ingressos antecipados do festival. Isso permitia que o fã de uma banda, que eventualmente iria no festival apenas por causa desta, pudesse conhecer e quem sabe se tornar fã de outras, antes mesmo de vê-las em ação no palco.

Além da divulgação convencional através de cartazes, panfletos, faixas e anúncios nas revistas, sites e programas de rádio especializados, em 2004 a publicidade do BMU chegou a incluir chamadas em TV, matérias em grandes jornais, lambe-lambes nas principais avenidas da capital, e até anúncios no Metrô de São Paulo. A repercussão foi tamanha, que um programa de TV aberta chegou a convocar o produtor Richard Navarro a uma entrevista ao vivo, para explicar do que se tratava o tal festival Brasil Metal Union.

Já em 2006, o festival ganhou matéria de capa da hoje extinta revista Valhalla, que na época era uma das publicações especializadas mais respeitadas, distribuída nas bancas de todo Brasil. Inclusive, a revista foi também brinde do ingresso do BMU do mesmo ano, junto ao pôster do festival.

3- BMU_Andreas Kisser

Todo esse trabalho rendeu às bandas do underground um saldo bastante positivo. Bandas como Tuatha de Danann, Dark Avenger, Eterna e Torture Squad (apenas para citar algumas), devem grande parte de seu reconhecimento atual à massiva campanha ao longo das edições do festival, que projetou o nome destas não apenas em São Paulo, mas em todo Brasil.

Em suas seis edições, o BMU reuniu 45 bandas, de 10 diferentes estados brasileiros, desde representantes do Hard/Heavy, Metal Tradicional, Melódico, Prog, Power e White Metal, até bandas de Gothic/Doom, Black/Death e Thrash Metal.

Confira aqui a lista completa das bandas que já se apresentaram no BMU

As primeiras edições foram realizadas na hoje extinta casa de rock Ledslay, onde algumas das bandas de maior destaque no underground brasileiro puderam executar seus shows de forma profissional, respeitosa e para um bom público. Para contemplar uma quantidade de bandas que representassem a cena nacional como um todo, cada edição do festival era dividida em duas datas distintas, num padrão de qualidade de produção até então inédito nesse cenário.

Apesar de começar numa estrutura mais modesta, a primeira edição do BMU já se mostrou muito bem sucedida, deixando claro que as bandas e o público eram carentes de um evento dessa natureza. Ou seja, algo feito com qualidade, pontualidade, e 100% dedicado às bandas do Metal nacional. Uma curiosidade, é que essa primeira edição do festival marcou respectivamente os últimos shows de Edu Falaschi com o Symbols, e Aquiles Priester no Hangar, antes dos mesmos serem anunciados no Angra.

Crescendo a cada ano, o Brasil Metal Union se consagrou em sua terceira edição, deixando claro que a estrutura da Ledslay não comportaria mais o festival, que a essa altura já reunia mais de 4 mil pessoas para prestigiarem bandas de Metal nacional do cenário underground. Era uma vitória inegável.

Foi quando Richard Navarro fez uma parceria com a produtora Top Link, rendendo a histórica edição BMU 2004, que levou nossas bandas underground para uma casa “mainstream”. No caso, o hoje também extinto DirecTV Music Hall. Uma conquista inédita, à época bastante comemorada por todo cenário. Músicos consagrados passaram a “vestir a camisa” do BMU, e a expectativa para a estreia do festival de Metal nacional numa casa de espetáculos “de luxo” era grande. Diferentemente das edições anteriores, que foram realizadas em dois sábados seguidos, a logística dessa edição foi adaptada para dois dias seguidos (sexta e sábado), e o evento foi um grande sucesso. Cerca de 6 mil pessoas reunidas, durante dois dias seguidos, em nome do Metal nacional.

4- BMU_livrinho

Uma curiosidade dessa edição histórica de 2004 foi a participação especial da banda Massacration, que fazia neste BMU os dois primeiros shows de sua carreira. Essa edição também contou com a jam de membros do Viper, Angra e Sepultura durante o show de algumas das bandas do cast principal, em homenagem aos respectivos. Afinal, era o grande dia do Metal nacional, e a produção fez questão que os pioneiros fossem devidamente lembrados. E no ano seguinte, a parceria de sucesso se repetiu. As participações especiais da edição de 2005 ficaram por conta do Korzus e Dr. Sin.

Em 2006, o festival sofreu novas mudanças. A parceria dessa vez foi com a empresa Consulado do Rock, e o BMU foi realizado nas dependências do Espaço das Américas, em uma única data. Pela primeira vez na história do festival, todas as bandas foram reunidas no mesmo dia. Medida adotada para viabilizar o evento numa casa de tais dimensões. Outro diferencial foi a participação de bandas maiores, como Krisiun e Angra. No entanto, o foco principal continuou sendo as bandas underground, e o evento foi encerrado pelos mineiros do Tuatha de Danann. Esta edição também marcou a primeira apresentação da banda gaúcha Hibria em São Paulo, que na ocasião lançava seu álbum de estreia. E apesar do BMU chegar ao nível que chegou, esta acabou sendo a última edição do festival.

E lá se foi quase uma década desde o último BMU…

5- BMU_CD PROMO

Muitas bandas que viveram aquela época infelizmente encerraram suas atividades nos últimos anos. Por outro lado, muitas novas bandas surgiram no cenário, com qualidade de exportação. Outras antigas retomaram as atividades e algumas das que jamais desistiram têm lançado álbuns cada vez melhores.

No entanto, hoje o Metal nacional atravessa uma fase delicada por conta da quantidade de shows internacionais e shows de bandas cover, que acontecem praticamente todos os finais de semana nas grandes capitais. Como já é crônico na nossa cultura, o artista nacional é sempre colocado em segundo plano. Cada vez mais, as nossas bandas precisam sair do Brasil para buscar o espaço e reconhecimento que não encontram no próprio país.

Mas como a diversidade e qualidade das bandas brasileiras é indiscutível, e a valorização das bandas nacionais e o espírito de união sempre foram e serão a tônica do Brasil Metal Union, uma nova e boa fase para o Metal nacional pode estar por vir. Quando existe um sonho, e este é compartilhado por outros, ele pode voltar a se tornar realidade.

Portanto, apoie e valorize o Heavy Metal brasileiro.

6- BMU_site 2004